O que é o jejum intermitente

Na realidade o Jejum intermitente não é uma dieta, mas sim um modo de vida em que se
concentra as refeições numa determinada janela horária do dia e se respeita um período longo,
no mínimo de 12horas, sem comer. Esta prática constitui uma ferramenta não farmacológica no
controlo de inúmeras doenças crónicas. O jejum intermitente é uma prática milenar e validada
por uma vasta e robusta bibliografia. Muitas religiões, e sobretudo as monoteístas, impõem ou
aconselham a prática do jejum: o cristianismo, o islamismo, o judaísmo, o budismo.
Na pré historia, na era do paleolítico, época melhor documentada que começou há cerca de 2,5
milhões de anos quando os nossos antepassados começaram a produzir os primeiros
artefactos em pedra e que caçavam e comiam apenas uma vez por dia. Só muito recentemente
e especialmente com o crescimento da indústria alimentar após a 2a guerra mundial, surge o
aconselhamento e o hábito de comer várias vezes ao dia e corresponde ao aumento
progressivo da incidência de doenças cronicas.
O nosso ADN é igual há milhares de anos e as alterações dos nossos comportamentos,
principalmente os alimentares, levaram ao aparecimento ou a um aumento exponencial de
doenças autoimunes, da obesidade, doenças cardiovasculares e cancros bem como o
surgimento de muitas pessoas que apesar de ainda não terem doenças, não se sentem bem.
O jejum Intermitente é um modo de vida que respeita a nossa genética.

VANTAGENS DO JEJUM INTERMITENTE

O jejum praticado de forma assídua, prolonga a longevidade, em parte reprogramando as vias
metabólicas e de resistência ao stresse, promovendo a saúde ideal e reduzindo o risco de
muitas doenças crónicas.
O jejum corrige inúmeros fatores que acreditamos estarem na origem de várias doenças.
Estados inflamatórios, resistência periférica à insulina, à leptina, esteatose hepática, alterações
no desempenho mitocondrial, excessiva sinalização de vias metabólicas associadas ao
crescimento celular e doenças (mTOR, IGF , Pka), podem ser beneficiados pelo jejum. De uma
forma resumida o jejum permite evitar doenças, invertendo mesmo algumas e aumentar a
longevidade.
Em jejum e níveis baixos de açúcar há também um aumento da produção do BDNF (factor
neurotrófico derivado de cérebro), esta proteína fabricada pelos neurónios é indispensável na
formação de novos neurónios (Neurogénese) e na plasticidade cerebral, protegendo assim
contra doenças neurológicas e degenerativas do sistema nervoso, como Alzheimer, Parkinson
entre outras.
Funciona também como imunomodulador e mais recentemente surgem estudos que indiciam
que o Jejum intermitente, pode constituir uma possível ferramenta importante na defesa do
hospedeiro contra a infecção por SARS-CoV-2: e que poderá ter a ver com a restrição calórica,
autofagia e modulação da resposta imunológica.

COMO FAZER JEJUM INTERMITENTE

O jejum intermitente consiste em concentrar as refeições numa determinada janela horária do
dia e respeitar um período longo, no mínimo de 12horas, sem comer.
Existem vários esquemas possíveis de jejum intermitente, desde respeitar algumas horas
diárias, jejuar 1 ou 2 dias 24 horas na semana, ou mesmo introduzir dias de muito poucas
calorias, como a pratica 5:2 . Recentemente muitos benefícios têm sido atribuídos à prática de
jejuar ou adotar uma dieta que imite o jejum durante 45 dias, pelo menos 2 vezas no ano.
Enfim, existem várias formas de fazer jejum, mas o importante é iniciar esta prática e optar por
um esquema que melhor se adeque à vida pessoal e profissional de cada pessoa.
O que comer durante o período de jejum?

Antes de mais respeitar as horas de jejum, não ingerindo nada que o interrompa. Durante o
período de jejum não é possível comer, no entanto, devemos beber muita água, chás, água
com limão ( muito saciante),
Depois, na janela de alimentação comer aquilo que o nosso corpo precisa. Cortar nos
açúcares, reduzir hidratos de carbono, comer gordura saudável e, acima de tudo, ouvir e
entender o nosso corpo.

Qual a melhor forma de quebrar o jejum intermitente e quais os alimentos proibidos?


A melhor forma de quebrar o Jejum seria não introduzir nessa refeição, açúcares ou mesmo
hidratos de carbono que rapidamente se transformam em açúcares. O seu corpo vai
automaticamente transformar esses alimentos em calorias que, se não forem usadas, irão ser
acumuladas sob a forma de gordura na tentativa de repor a que foi gasta durante o período de
jejum.

Os níveis baixos de glicose e insulina e a adaptação ao metabolismo cetogénico em que a energia é obtida a partir da oxidação da gordura são fatores que mantidos no tempo permite- nos continuar a desfrutar dos benefícios do jejum por mais tempo. A ideia é continuar a manter valores baixos de insulina por não aumentar a glicose, deixando a sua concentração baixa e o mais estável possível ao longo do dia
Ao incluir maior percentagem de gordura saudável e alguma proteína o seu corpo continuará a
insistir na rota metabólica da gordura e poderá prolongar o efeito do jejum. Assim, esta refeição que quebra o jejum.

No livro as Receitas de O Poder do jejum Intermitente, que lancei recentemente estão
compiladas uma serie de receitas especificas para cortar o jejum. Todas as receitas estão
devidamente classificadas de acordo com a sua composição nutricional.

É um livro essencialmente de receitas para quebrar o jejum, desde snacks, lanches, sopas,
pães, molhos, refeições principais, sobremesas. Todas as receitas são apresentadas com
cálculos nutricionais e classificadas de acordo com os seguintes critérios: vegan, vegetarianas,
paleo, cetogénico, sem glúten, sem lácteos. E o grande desafio foi recriar receitas clássicas da
nossa gastronomia em versões cetogénicas ou lowcarb.

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